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 HISTEROscopia
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RETENÇÃO DE RESTOS ABORTIVOS

   Definese como retenção de restos abortivos a persistência de restos ovulares dentro do útero na sequência de um aborto espontâneo ou após a realização de uma curetagem pós-aborto ou pósparto. O tecido retido, que na maioria dos casos é composto por vilosidades coriónicas e decídua, tem tendência para permanecer durante algum tempo com viabilidade dentro do útero, causando sintomas como sangramento e dor abdominal.

   A existência de restos ovulares retidos é um problema pouco frequente, para o qual foram já propostos diferentes tratamentos, sendo a opção clássica a realização de uma curetagem uterina evacuadora. Tendo em conta que a realização de uma curetagem é um procedimento às cegas e que habitualmente o produto retido apresenta uma localização focal, compreendese que em só cerca de 60% das curetagens para extracção de restos ovulares se obtenha um resultado histológico compatível com restos ovulares.

   Propomos a histeroscopia como uma boa opção terapêutica, pois permite a visualização directa dos restos ovulares retidos, com menor taxa de perfuração uterina e de reintervenção por persistência de restos intrauterinos.

 

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CLíNICA

Uma ampla variedade de sintomas foi descrita em relação com a persistência de restos ovulares intrauterinos, sendo o sangramento uterino anómalo (pós-parto ou pós-aborto) o sintoma de apresentação mais frequente. Por vezes verificamse casos de menometrorragias com muito tempo de evolução. Outros sintomas possíveis são a febre e a dor abdominal leve a moderada.

 

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico baseiase na suspeita clínica e na realização de uma ecografia transvaginal. A ecografia pode mostrar áreas focais de espessamento endometrial com ecogenicidade mista altamente vascularizadas. A titulação dos níveis de ß-HCG no sangue habitualmente permanece elevada. A histeroscopia é o "gold standart" para o diagnóstico de restos ovulares retidos permitindo em simultâneo a resolução terapêutica.

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TRATAMENTO

O tratamento que propomos e que tem mostrado bons resultados consiste na evacuação dos produtos retidos através da utilização do ressectoscópio sob visão directa da cavidade. Geralmente utilizamos a ansa do ressectoscópio para extracção dos restos utilizando-a como se fosse uma cureta, sem recorrer a electrocirurgia.

 

Esta técnica associase normalmente a uma perda hemática mínima e a uma boa recuperação da paciente. Tem menor risco de perfuração uterina e de síndrome de Asherman relativamente à realização de curetagens repetidas.

Tratase uma técnica recente, já realizada em vários centros especializados em histeroscopia e com muito bons resultados.

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