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ÚTERO SEPTADO

O septo uterino é a malformação uterina mais frequente, a que mais se associa a problemas durante a gravidez e a que tem uma resolução mais fácil por via histeroscópica.

A sua incidência é desconhecida, ainda que se estime que possa afectar cerca de 1,8% de todas as mulheres e em mulheres com história de abortos de repetição a sua incidência seja de cerca de 3.3%.

O septo uterino tem origem num defeito de reabsorção do tecido existente entre as duas cavidades uterinas. Este septo pode ser parcial (tambem chamado de subsepto), completo e até estar associado a duplicação cervical e septo vaginal. A diferença entre útero septado e bicórnio é que enquanto no caso do útero septado  o contorno do fundo uterino tem uma aparência normal, no caso do bicornio identificam-se dois cornos uterinos.

O septo uterino associa-se a taxas de aborto de 60% e de parto pré-termo de 33%. A teoria explicativa sugere que o tecido existente no septo é um tecido fibroelástico, em que o endometrio se apresenta defeituoso; outra hipótese é que o aborto se deve a falha de implantação por deficiente vascularização do septo.

 septo uterino                 septo_1  

 

AVALIAÇÃO DO SEPTO

É muito importante estabelecer o diagnóstico exacto do tipo de malformação uterina antes de planear a sua resolução por via histeroscópica, com o objectivo de evitar complicações.

A prova inicial para o diagnóstico é a ecografía transvaginal, que nos permite um diagnóstico correcto na maioria dos casos. Para esta avaliação ecográfica é importante conhecer a metodologia de avaliação ecográfica de Fedele: traçando uma linha imaginária que une os dois óstios, mede-se a distância entre esta linha e o bordo superior uterino, se esta for maior do que 5mm, trata-se de um útero septado e o útero poderá ter uma abordagem histeroscópica.

A histerosalpingografia avalia apenas o interior da cavidade uterina e não o contorno exterior do útero. Habitualmente quando a separação das cavidades tem um ângulo maior que 90º estamos na presença de um útero bicornio; com angulações menores que 90º provavelmente estamos na presença de um septo. Também a histeroscopia permite a avaliação do septo, mas não do contorno exterior do útero.

A técnica de eleição, em caso de dúvida diagnóstica com a ecografía transvaginal é a realização de uma Ressonância Magnética que tem uma sensibilidade de 100%.

 

INDICAÇÕES CIRÚRGICAS

Tendo em conta a facilidade e segurança da resecção histeroscópica do septo uterino, as indicações para a metroplastia ou exerése do septo têm aumentado nos últimos anos. Actualmente não parece existir indicação cirúrgica quando se trata simplesmente de um achado casual, ainda que existam autores que a proponham de forma profiláctica antes de tentar uma gravidez. Está indicada a cirurgia em casos de mulheres com pelo menos uma perda gestacional (aborto ou parto prematuro), casos de dismenorreia, ou sangramento intermenstrual. Foi demonstrado que em mulheres com abortos de repetição (mais de 3) existe uma redução de 88,5% para 5,9% na taxa de aborto após cirurgia.

 

TÉCNICA

A técnica de eleição é a metroplastia, técnica histeroscópica que substituiu por completo as técnicas antigas por via abdominal. Para a sua realização utilizam-se tesouras, láser, ressectoscópio ou sistema Versapoint®. De todas estas, talvez o método mais cómodo, fácil e rápido seja o sistema Versapoint®.

A técnica mais utilizada é a secção do septo na linha média, com retracção subsequente dos seus bordos. Provavelmente o ponto mais delicado da cirurgia é decidir quando terminar a ressecção, por forma a evitar lesar o miométrio, e deste modo, complicações major. Quase todos os cirurgiões estão de acordo em parar quando os dois óstios estão no mesmo plano e são visiveis no mesmo campo cirúrgico. Alguns autores sugerem que um septo restante menor que 1 cm após a cirurgia não altera os resultados reproductivos posteriores.

A maioria sugere realizar a cirurgia após o final da menstruação, uma vez que nesta altura o tecido endometrial é mínimo, o que facilita a visualização. Por vezes recomenda-se um tratamento prévio com anticoncepcional. Após a intervenção administram-se estrógeneos com o objectivo de produzir um crescimiento endometrial na zona cicatricial, para evitar a formação de aderências. Parece aconselhável a realização de uma histeroscopia de controlo 2 meses após o tratamento, para avaliar a cavidade e a possivel formação de aderências.

                                           septo completo 5  

RESULTADOS

A metroplastia é um método eficaz e seguro na abordagem do septo uterino e com taxas de complicações mínimas, quando o diagnóstico é o adequado. O septo associa-se a mau prognóstico reproductivo, com 60% de abortos, 33% de partos prematuros e apenas 28% de RN vivos. Nesta anomalía, o tratamento cirúrgico (ressecção do septo por histeroscopía) mostra resultados interessantes, ao diminuir para 5,9% a taxa de aborto e aumentar a taxa de RN vivos para 80%.

     

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